quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Interpretação do texto: Detalhes - 6º ano


DETALHES
Luis Fernando Veríssimo

            O velho porteiro do palácio chega em casa, trêmulo. Como faz sempre que tem baile no palácio, sua mulher o espera com café da manhã reforçado. Mas desta vez ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atira-se na sua poltrona perto do fogão e toma um longo gole da bebida, pelo gargalo.
            - Helmuth, o que foi?
            - Espera, Helga. Deixe eu me controlar primeiro.
            Toma outro gole de aguardente.
            - Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu alguma coisa no baile?
            - Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho. Sempre tem, claro, o filhinho de papai sem convite que quer me levar na conversa, mas já estou acostumado. Comigo não tem conversa. De repente, chega a maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos. Cavalões! Elefantes! De dentro da carruagem salta uma dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para barrar a entrada dela porque mulher desacompanhada não entra em baile do palácio. Mas essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu não digo nada e deixo ela entrar.
            - Bom, Helmuth. Até aí...
            - Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E então bate a meia-noite. Há um rebuliço na porta do palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um sapato. E o príncipe atrás dela.
            - O príncipe?!
            - Ele mesmo. E gritando para eu segurar a esfarrapada. “Segura! Segura!” Me preparo para segurá-la quando ouço uma espécie de “vum” acompanhado de um clarão. Me viro e...
            - E o quê , meu Deus?
            O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
            - Você não vai acreditar.
            - Conta!
            - A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado numa abóbora.
            - Numa o quê?!
            - Eu disse que você não ia acreditar.
            - Uma abóbora?
            - E os cavalos em ratos.
            - Helmuth... !!!
            - Não tem mais aguardente?
            - Acho que você já bebeu demais por hoje.
            - Juro que não bebi nada!
            - Esse trabalho no palácio está acabando com você, Helmuth. Pede para ser transferido para o almoxarifado. (Luís Fernando Veríssimo)
1. O texto é uma nova visão de que tradicional história infantil. De que conto se trata? Transcreva uma passagem do texto que justifique sua resposta. 

2. “O velho porteiro do palácio chega em casa, trêmulo.” Como sabemos não se tratar de um palácio no Brasil? 

3. “Como faz sempre que tem baile no palácio, sua mulher o espera com café da manhã reforçado.” Pelo trecho, com relação aos hábitos do porteiro, o que se pode entender? 

4. O que o porteiro revela com esta frase: “Comigo não tem conversa” 

5. De que forma a mulher interpreta a história do marido? 

6. Na frase: “Me preparo para segurá-la, (10° parágrafo) qual é a classificação gramatical e a quem se refere o termo em destaque? 

Obs. Para saber mais sobre o autor deste texto, acesse a página:
http://www.e-biografias.net/luis_fernando_verissimo/


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