quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Interpretação do texto: Detalhes - 6º ano


DETALHES
Luis Fernando Veríssimo

            O velho porteiro do palácio chega em casa, trêmulo. Como faz sempre que tem baile no palácio, sua mulher o espera com café da manhã reforçado. Mas desta vez ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atira-se na sua poltrona perto do fogão e toma um longo gole da bebida, pelo gargalo.
            - Helmuth, o que foi?
            - Espera, Helga. Deixe eu me controlar primeiro.
            Toma outro gole de aguardente.
            - Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu alguma coisa no baile?
            - Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho. Sempre tem, claro, o filhinho de papai sem convite que quer me levar na conversa, mas já estou acostumado. Comigo não tem conversa. De repente, chega a maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos. Cavalões! Elefantes! De dentro da carruagem salta uma dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para barrar a entrada dela porque mulher desacompanhada não entra em baile do palácio. Mas essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu não digo nada e deixo ela entrar.
            - Bom, Helmuth. Até aí...
            - Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E então bate a meia-noite. Há um rebuliço na porta do palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um sapato. E o príncipe atrás dela.
            - O príncipe?!
            - Ele mesmo. E gritando para eu segurar a esfarrapada. “Segura! Segura!” Me preparo para segurá-la quando ouço uma espécie de “vum” acompanhado de um clarão. Me viro e...
            - E o quê , meu Deus?
            O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
            - Você não vai acreditar.
            - Conta!
            - A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado numa abóbora.
            - Numa o quê?!
            - Eu disse que você não ia acreditar.
            - Uma abóbora?
            - E os cavalos em ratos.
            - Helmuth... !!!
            - Não tem mais aguardente?
            - Acho que você já bebeu demais por hoje.
            - Juro que não bebi nada!
            - Esse trabalho no palácio está acabando com você, Helmuth. Pede para ser transferido para o almoxarifado. (Luís Fernando Veríssimo)
1. O texto é uma nova visão de que tradicional história infantil. De que conto se trata? Transcreva uma passagem do texto que justifique sua resposta. 

2. “O velho porteiro do palácio chega em casa, trêmulo.” Como sabemos não se tratar de um palácio no Brasil? 

3. “Como faz sempre que tem baile no palácio, sua mulher o espera com café da manhã reforçado.” Pelo trecho, com relação aos hábitos do porteiro, o que se pode entender? 

4. O que o porteiro revela com esta frase: “Comigo não tem conversa” 

5. De que forma a mulher interpreta a história do marido? 

6. Na frase: “Me preparo para segurá-la”, (10° parágrafo) qual é a classificação gramatical e a quem se refere o termo em destaque? 

Obs. Para saber mais sobre o autor deste texto, acesse a página:
http://www.e-biografias.net/luis_fernando_verissimo/


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Leitura e interpretação de texto - 8º ano


                                  Secretária
                              (Luís Fernando Veríssimo)
            O teste definitivo para você saber se você está ou não integrado no mundo moderno é a secretária eletrônica. O que você faz quando liga para alguém e quem atende é uma máquina. Tem gente que nem pensa nisso. Falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade, qual é o problema? É apenas um gravador estranho com uma função a mais. Mas aí é que está. Não é uma máquina como qualquer outra. É uma máquina de atender telefone. O telefone (que eu não sei como funciona, ainda estou tentando entender o estilingue) pressupõe um contato com alguém e não com alguma coisa.
    A secretária eletrônica abre um buraco nesta expectativa estabelecida. É desconcertante. Atendem — e é alguém dizendo que não está lá!  Seguem instruções para esperar o bip e gravar a mensagem.
         É aí que começa o teste. Como falar com ninguém no telefone? Um telefonema é como aqueles livros que a gente gosta de ler, que só tem diálogos. É travessão você fala, travessão fala o outro. E de repente você está falando sozinho. Não é nem monólogo. É diálogo só de um.
               — Ahn, sim, bom, mmm... olha, eu telefono depois. Tchau.
             O “tchau” é para a máquina. Porque temos este absurdo medo de magoá-la. Medo de que a máquina nos telefone de volta e nos xingue, ou pelo menos nos bipe com reprovação. Sei de gente que muda a voz para falar com secretária eletrônica. Fica formal, cuida a construção da frase. Às vezes precisa resistir à tentação de ligar de novo para regravar a mensagem porque errou a colocação do pronome.
         Outros não resistem. Ao saber que estão sendo gravados, limpam a garganta, esperam o bip e anunciam:
                — De Augustin Lara...
              E gravam um bolero. Talvez seja a única atitude sensata.

1. “O teste definitivo para você saber...”; o vocábulo definitivo, nesse contexto, corresponde ao seguinte sinônimo:
a) inapelável         b) decisivo       c) determinado       d) derradeiro       e) aprovado

2. O item que mostra um desenvolvimento INADEQUADO do segmento sublinhado é:
a) “O teste definitivo para você saber  =  o teste definitivo para que você saiba.
b) “Ao saber que estão sendo gravados  =  quando sabem que estão sendo gravados.
c) “para regravar a mensagem”  =  para que regrave a mensagem.
d) “Seguem instruções para esperar o bip” = seguem instruções para que se espere o bip.
e) “como aqueles livros que a gente gosta de ler”  =  como aqueles livros que a gente gosta que se leiam.

3. “O teste definitivo para você saber se você está ou não integrado no mundo moderno é a secretária eletrônica”; a forma de reescrever-se esse segmento do texto que ALTERA o seu sentido original é:
a) Para você saber se está ou não integrado no mundo moderno, o teste definitivo é a secretária eletrônica.
b) A secretária eletrônica é o teste definitivo para você saber se está ou não integrado no mundo moderno.
c) É a secretária eletrônica o definitivo teste para você saber se está ou não integrado no mundo moderno.
d) Para você saber se está ou não integrado no mundo moderno, a secretária eletrônica é o teste definitivo.
e) O teste definitivo do mundo moderno para você saber se está ou não integrado nele é a secretária eletrônica.

4. O item em que o vocábulo PARA tem significado diferente de todos os demais é:
a) “O teste definitivo para você saber...”   
b) “O que você faz quando liga para alguém...”
c) “Seguem instruções para esperar o bip...” 
d) “Sei de gente que muda a voz para falar com a secretária...”
e) “...ligar de novo para regravar a mensagem.”

5. A frase do texto em que há claramente a personificação da secretária eletrônica por meio de uma ação humana que lhe é atribuída, é:
a) ‘Medo de que a máquina nos telefone de volta...”                
b) “O tchau’ é para a máquina.”
c) “Porque temos este absurdo medo de magoá-la.”                 
 d) “Não é uma máquina como qualquer outra.”
 e) Sei de gente que muda a voz para falar com secretária eletrônica.”

6, “O que você faz quando liga para alguém e quem atende é uma máquina”. Nesse segundo período do texto, os elementos que estão em oposição semântica são:
 a) você / quem      b) faz / liga       c) liga / atende      d) alguém / máquina     e) o / uma

7. A frase abaixo que representa uma linguagem coloquial é:
a) “Tem gente que nem pensa nisso.”               
b) “Falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade.”
c) “Talvez seja a única solução sensata.”         
d) “E gravam um bolero.”
e) “É apenas um gravador estranho com uma função a mais.”

8. “Tem gente que nem pensa nisso. Falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade, qual é o problema?” A pergunta final desse segmento:
a) é feita pelo próprio autor do texto.
b) é questão atribuída à secretária eletrônica.
c) é da autoria da “gente que nem pensa nisso”.
d) parte de quem não é atendido pela secretária com naturalidade.
e) questiona o problema de não haver quem atenda o telefone.

9. “A secretária eletrônica abre um buraco nesta expectativa estabelecida”; a “expectativa” referida no texto é a de que:
a) se entre em contato com alguém.                  b) se possa deixar um recado.
c) a secretária eletrônica esteja ligada.            d) se possa seguir as instruções da máquina.
                             e) não tenham ligado a secretária eletrônica.

10. O trecho entre parênteses no segundo parágrafo — que eu não sei como funciona, ainda estou tentando entender o estilingue — tem a função de:
a) mostrar a competência tecnológica do autor do texto.
b) fazer pouco das máquinas modernas.
c) demonstrar a inadequação do autor diante das coisas modernas.
d) transmitir um tom crítico ao texto.
e) situar o texto em tempos passados.

11. “— Ahn, sim, bom, mmm...”; essas palavras Indicam, por parte de quem é atendido pela secretária eletrônica:
a) aborrecimento         b) hesitação       c) espanto        d) desilusão       e) admiração

12. O item em que o sentido da oração sublinhada está ERRADAMENTE indicado, é:
a) “O que você faz  quando liga para alguém e quem atende é uma máquina” — tempo.
b) “...regravar a mensagem  porque errou a colocação do pronome” — causa.
ç) “Sei de gente que muda a voz  para falar com a secretária eletrônica” — finalidade.
d) “O teste definitivo para você saber  se está ou não integrado no mundo moderno  é a secretária eletrônica” — condição.
e) “Ao saber que estão sendo gravados “ —tempo.

13. Afirmação que cabe ao texto como um todo é que ele:
a) critica amargamente os novos meios tecnológicos.
b) elogia a tranqüilidade dos que não temem as máquinas.
c) ironiza a falta de educação da secretária eletrônica.
d) destaca a desumanização nas relações humanas.
e) indica uma solução para os problemas de comunicação,

14. Há tipos diferentes de atitudes diante do atendimento de uma secretária eletrônica. A frase cuja identificação dessa atitude NÃO está adequada é:
a) “Falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade” — tranqüilidade.
b) “Como falar com ninguém no telefone?” — confusão mental.
c) ‘E gravam um bolero” — lirismo.
d) “Sei de gente que muda a voz para falar com secretária eletrônica” — formalismo.
 e)”,,,ou pelo menos nos bipe com reprovação” — temor

15.0 item em que a oração sublinhada NÃO indica uma ação em seqüência cronológica em relação à oração anterior, é:
a) “0 que você faz quando liga para alguém  e quem atende é uma máquina.                   
b)”...esperam o bip e anunciam.”
c) “Seguem instruções para esperar o bip e gravar a mensagem.”
d) “Medo de que a máquina nos telefone de volta e nos xingue.”
e)”,.. pressupõe um contato com alguém e não com alguma coisa.”

16. Em todos os itens abaixo há uma junção de um substantivo com um adjetivo; o par em que o adjetivo NÃO representa uma opinião do autor do texto é:
   a) atitude sensata          b) teste definitivo         c) absurdo medo      
                         d) mundo moderno     e) gravador estranho

17. O item em que a segunda forma proposta para o segmento inicial ALTERA o sentido original é:
a) “Talvez seja a única atitude sensata” / A única atitude sensata talvez seja essa.
b) “Eu telefono depois”! Depois eu telefono.
c) “É aí que começa o teste”! Aí o teste começa.
d) “Como falar com ninguém no telefone?” / Como ninguém falar ao telefone?
e) “E gravam um bolero”! E um bolero é gravado.

9º ano - leitura e interpretação


Duzentas gramas
       Tenho um amigo que fica indignado quando peço na padaria “duzentas” gramas de presunto — já que a forma correta, insiste ele, é duzentos gramas. Sempre discutimos sobre os diferentes modos de falar. Ele argumenta que as regras de pronúncia e de ortografia, já que
existem, devem ser obedecidas, e que os mais cultos (como eu, um cara que traduz livros) devem insistir na forma correta, a fim de esclarecer e encaminhar gente menos iluminada.
         Eu sempre argumento que, quando ele diz que só existe uma forma correta de falar, está usurpando um termo de outro ramo, que está tentando aplicar a ética à gramática, como se falar corretamente implicasse algum grau de correção moral, como se dizer “duzentas” significasse incorrer numa falha de caráter, e dizer duzentos gramas fosse prova de virtude e integridade.
          Ele vem então com aquela de que se pode desculpar a moça da padaria quando fala “duzentas”, pois ela desconhece a norma culta, mas quanto a mim, que a domino, demonstro uma falha de caráter ao ignorá-la em benefício dos outros — só para evitar o constrangimento de falar diferente. “Quem sabe fazer o bem e não o faz comete pecado” — parece concluir.
      Eu reconheço, sim, que falo de forma diferente dependendo de quem seja meu interlocutor. Às vezes uso deliberadamente formas como “tentêmo” ou “vou ir”. Pelo mesmo motivo, todas as gírias e dialetos locais me interessam. Não que — por exemplo—a decisão de dizer “duzentas” gramas seja consciente, uma premeditação em favor da inclusão social. É que, algumas vezes, a coisa certa a se fazer — sobretudo na linguagem falada — é ignorar a norma, ou pervertê-la. Quando peço “duzentas gramas de presunto, por favor”, a moça da padaria invariavelmente repete, como que para extorquir minha profissão de fé à norma inculta:
__ DUZENTAS?
— Duzentas, confirmo eu, já meio arrependido, mas caindo, ainda assim, em tentação.
                                         (Adaptado de Pauto Brabo, site A bacia das almas)

1. A posição do autor do texto em relação aos diferentes níveis de linguagem é a de quem:
a) por desconhecer a norma culta, não pode mostrar constrangimento quando não fala  corretamente.
b) por dominar a norma culta, sente-se à vontade para deturpá-la, sem que haja qualquer razão  para isso.
c) mesmo dominando a norma culta, não hesita em transgredi-la, quando isso favorece a comunicação com os outros,
d) por desconhecer a norma culta, despreza a presunção das pessoas que insistem em corrigir  quem fala incorretamente.
e) mesmo dominando a norma culta, desobedece-a sistematicamente, não importando a situação de uso da linguagem.

2. Atente para as seguintes afirmações:
I. A indignação do amigo deve-se ao fato de que o autor, que se apresenta como um homem culto, não domina as regras de pronúncia e de ortografia.
II. Para o amigo do autor, a desobediência à norma culta é sobremaneira indesculpável quando quem a infringe é aquele que não a desconhece.
III.0 autor comunga com seu amigo a convicção de que o uso da norma culta beneficia o interlocutor que ainda não a conhece.
                   Em relação ao texto, está correto o que se afirma em:
               a)I, II e III                 b) I e II, somente               c) II e III, somente
                                d) I e III, somente      e) II, somente

3. No segundo parágrafo, a argumentação do autor diante da convicção do amigo quanto ao uso da linguagem pode ser assim resumida:
a) Deve-se desculpar o pecado de quem insiste em falar ou escrever de modo incorreto.
 b) Não  se deve contundir o plano da suposta correção da norma culta como plano ético das virtudes pessoais.
c) Mesmo quem desconhece a norma culta está virtualmente habilitado para um dia vir a dominá-la.
d) Quem se vale da linguagem espontânea demonstra ser mais virtuoso do que aquele que se vale  da norma culta.
e) O desconhecimento da norma culta prejudica apenas a comunicação, mas não implica falta de  caráter.

4. De acordo com o contexto, é irônica a seguinte frase:
a) (...) caindo, ainda assim, em tentação.
b) (...) as regras de pronúncia e de ortografia (...) devem ser obedecidas (...)
c) (..j pois ela desconhece a norma culta (..)
d) (...) algumas vezes, a coisa certa a se fazer é ignorar a norma
e) (...) todas as gírias e dialetos locais me interessam.

5. Considerando-se o contexto, na passagem em que a moça da padaria pergunta “DUZENTAS?”, repetindo a palavra ouvida:
a) a atendente demonstra compartilhar a mesma indignação do amigo do autor.
b) o amigo do autor encontraria uma razão para mudar de idéia quanto às suas convicções
     linguísticas.
c) o autor demonstra seu constrangimento ao ser imediatamente corrigido por uma atendente.
d) o autor faz crer que a pergunta teria sido um pedido de confirmação da forma verbal por ele
     utilizada.
e) a atendente demonstra sua satisfação em reconhecer o esforço do autor em se valer de uma  linguagem espontânea.

Leitura e interpretação - 9º ano


Tatuagem
Enfermeira inglesa de 78 anos manda tatuar mensagem no peito pedindo para não proceder a manobras de ressuscitação em caso de parada cardíaca. (Mundo Online, 4, fev., 2003)

Ela não era enfermeira (era secretária), não era inglesa (era brasileira) e não tinha 78 anos, mas sim 42; bela mulher, muito conservada. Mesmo assim, decidiu fazer a mesma coisa. Foi procurar um tatuador, com o recorte da notícia. O homem não comentou: perguntou apenas o que era para ser tatuado.
– É bom você anotar – disse ela – porque não será uma mensagem tão curta como essa da inglesa.
Ele apanhou um caderno e um lápis e dispôs-se a anotar.
– “Em caso de que eu tenha uma parada cardíaca” – ditou ela –, “favor não proceder à ressuscitação”.
Uma pausa, e ela continuou:
– “E não procedam à ressuscitação, porque não vale a pena. A vida é cruel, o mundo está cheio de ingratos.”
Ele continuou escrevendo, sem dizer nada. Era pago para tatuar, e quanto mais tatuasse, mais ganharia.
Ela continuou falando.(...). Àquela altura o tatuador, homem vivido, já tinha adivinhado como terminaria a história (...). E antes que ela contasse a sua tragédia resolveu interrompê-la.
– Desculpe, disse, mas para eu tatuar tudo o que a senhora me contou, eu precisaria de mais três ou quatro mulheres.
Ela começou a chorar. Ele consolou-a como pôde. Depois, convidou-a para tomar alguma coisa num bar ali perto.
Estão vivendo juntos há algum tempo. E se dão bem. (...). Ele fez uma tatuagem especialmente para ela, no seu próprio peito. Nada de muito artístico (...). Mas cada vez que ela vê essa tatuagem, ela se sente reconfortada. Como se tivesse sido ressuscitada, e como se tivesse vivendo uma nova, e muito melhor, existência. (Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, 10/03/2003.)

1. O trecho da crônica que mostra que o cronista inspirou-se em um fato real é:
a) a notícia, retirada da Internet, que introduz a crônica.
b) as manobras de ressuscitação praticadas pelos médicos.
c) a reprodução da conversa entre a secretária e o tatuador.
d) a história de amor entre a secretária e o tatuador.

2. O fato gerador do conflito que constrói a crônica é a secretária:
a) ser mais jovem que a enfermeira da notícia.
b) concluir que a vida não vale a pena.
c) achar romântica a história da enfermeira
d) ter se envolvido com o tatuador.

3. Um trecho do texto que expressa uma opinião é:
a) “Mesmo assim, decidiu fazer a mesma coisa.”
b) “O homem não comentou; perguntou apenas o que era para ser tatuado.”
c) “A vida é cruel, o mundo está cheio de ingratos.”
d) “Ela começou a chorar. Ele consolou-a como pôde.”

4. O trecho do texto que retrata a consequência após o encontro da secretária com o tatuador é:
a) “Foi procurar um tatuador, com o recorte da notícia”.
b) “Ele apanhou um caderno e um lápis e dispôs-se a anotar”.
c) “E antes que ela contasse a sua tragédia resolveu interrompê-la”.
d)” Estão vivendo juntos há algum tempo. E se dão bem”.

Leitura e interpretação - 7º ano



Aquilo
- De uns tempos para cá, eu só penso naquilo.
- Eu penso naquilo desde os meus, sei lá, onze anos.
- Onze anos ?
- É. E o tempo todo.
- Não. Eu, antigamente, pensava pouco naquilo. Era uma coisa que não me preocupava. Claro que a gente convivia com aquilo desde cedo. Via acontecer à nossa volta, não podia ignorar. Mas não era, assim, uma preocupação constante. Como agora.
- Pra mim sempre foi. Aliás, eu não penso em outra coisa.
- Desde criança !?
- De dia e de noite.
- E como é que você conseguia viver com isso, desde criança ?
- Mas é uma coisa natural. Acho que todo mundo é assim. Você é que é anormal, se só começou a pensar naquilo nessa idade.
- Antes eu pensava, mas hoje é uma obsessão. Fico imaginando como será. O que eu vou sentir. Como será depois.
- Você se preocupa demais. Precisa relaxar. A coisa tem que acontecer naturalmente. Se você fica ansioso é pior. Aí sim, aquilo se torna uma angústia, em vez de um prazer.
- Um prazer ? Aquilo ?
- Pra você não sei. Pra mim, é o maior prazer que um homem pode ter. É quando o homem chega ao paraíso.
- Bom, se você acredita nisso, então pode pensar naquilo como um prazer. Pra mim é o fim.
- Você precisa de ajuda, rapaz.
- Ajuda religiosa ? Perdi a fé há muito tempo. Da última vez que falei com um padre a respeito, só o que ele me disse foi que eu devia rezar. Rezar muito, para poder enfrentar aquilo sem medo.
- Mas você foi procurar logo um padre ? Precisa de ajuda psiquiátrica. Talvez clínica, não sei. Ter pavor daquilo não é saudável.
- E eu não sei ? Eu queria ser como você. Viver com a perspectiva daquilo naturalmente, até alegremente. Ir para aquilo assoviando.
- Ah, vou. Assoviando e dando pulinho. Olhe, já sei o que eu vou fazer. Vou apresentar você a uma amiga minha. Ela vai tirar todo o seu medo.
- Sei. Uma dessas transcendentalistas.
- Não é daqui mesmo. Codinome Neca. Com ela é tiro e queda. Figurativamente falando, claro.
- Hein ?
- O quê ?
- Do que é que nós estamos falando?
- Do que é que você está falando?
- Daquilo. Da morte.
- Ah. - E você ?
- Esquece.
( Luis Fernando Veríssimo. Sexo na cabeça. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 107-8)



Interpretação:

1.   Explique a que se deve a ambiguidade presente no texto lido.
2. A ambiguidade do texto é reforçada por várias situações, palavras e expressões. Que sentidos assume a expressão “chegar ao paraíso”?
3.   Você pode perceber que a ambiguidade pode gerar problemas de comunicação, como ocorreu no texto acima. Qual o motivo que levou o autor a demonstrar a ambiguidade em seu texto? Que efeito ele pretendia provocar no leitor?

domingo, 11 de novembro de 2012

Leitura e Interpretação - 6º ano


Texto: Gente grande e gente miúda


         Dona Nenén, a professora da minha classe, foi quem primeiro me entrou no coração.
         Vinte e quatro anos, pouco mais ou menos, leve, magrinha, pequenina, e olhos pardos e grandes. Um riso bonito e tranqüilo clareando-lhe o rosto.
         Eu nunca tinha visto moça mais linda. E tão forte impressão ela me causava com a sua beleza, que eu tirava constantemente os olhos dos livros para ficar minutos esquecido a olhá-la.
         Ela, porém, me advertia:
         - Não se distraia, menino, cuide da sua liçãozinha.
         Era uma criatura doce, delicada, suavíssima. Assim, miudinha, misturada ali conosco, podia-se pensar que fosse nossa irmã mais velha. Fazia-se respeitar porque se fazia estimar.
         Não ralhava nunca. Apenas nos olhava com aqueles olhos grandes e serenos. Bastava aquilo para que nos sentíssemos arrependidos e envergonhados.
         Mas, quando a falta era grande, além do olhar, ela nos contava uma história. Quase uma fábula ou um apólogo, com um fundo moral que mostrava o erro cometido. (Viriato Correia).



1. Qual o sentido da expressão em destaque?
“Dona Nenén (...) foi quem primeiro me entrou no coração.”

2. A palavra coração pode ser empregada em expressões com vários sentidos: 
desabafar-se; 
a parte mais importante, 
o centro; 
pessoa insensível, cruel;
 amor, afeto; aflito, angustiado; sinceramente, afetuosamente;
pessoa extremamente bondosa. 
Indique o sentido que ela assume nas frases abaixo.
a) Minha professora tem um coração de ouro.
b) Você tem um coração de pedra.
c) Chegou à casa da amiga com o coração nas mãos.
d) Falou de todo coração.
e) Para se vencer a guerra era preciso alcançar o coração do país.
f) Abriu seu coração e contou toda a verdade.

3. Explique o sentido das seguintes palavras do texto:
a) “Ela, porém, me advertia:”
b) “... olhos pardos e grandes... “
c) “... um riso tranqüilo e bonito clareando-lhe o rosto.”
d) “Era uma criatura doce...”
e) “... eu tirava constantemente os olhos dos livros...”

4. Pesquise e responda: o que é um apólogo?

5. Construa frases empregando as palavras:
a) constantemente
b) advertir
c) arrependido
d) distrair
e) respeitar
f) impressão

6. Dê o antônimo de:
a) tranquilo
b) bonito
c) delicada
d) magrinha
e) leve
f) esquecido

7. Qual era a profissão de dona Nenén?

8. O texto apresenta-nos a descrição de dona Nenén. Quando pretendemos descrever uma pessoa,
podemos apresentá-la sob dois aspectos: físico e psicológico. Descreva de acordo com esses dois
aspectos.

9. A repreensão das faltas cometidas pelos alunos ocorria de que forma: direta ou indireta?

10. Por meio do relato de uma fábula ou apólogo, a professora fazia com que os alunos fizessem que tipo
de reflexão?